REFLECÇÕES SOBRE AS RELAÇÕES

Casamento é

ter alguém

com quem

partilhar o

tempo

livre.

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na cama factura-se.

mais que amar é preciso confiar.

 

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“o homem que volta a banhar-se no mesmo rio, nem o rio é o mesmo rio, nem o homem é o mesmo homem” – Heráclito

“[…] dever que ambos têm de habitar juntos e, mais do que isso, de viverem tão intimamente que sejam duos in carne una, o que implicaria não só o compartilharem o mesmo teto, mas a demanda conjunta dos mesmos objetivos, de uma vivência irmanada que dê satisfação aos seus ideais de vida e aos seus instintos, entre os quais assume maior relevo o sexual” – dever de coabitação; debitum conjugale;…”

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amar é deixar o outro viver na plenitude do seu ser.

Reflecções Sobre o Nú

 

O nú está para a arte como a existência para a vida. ele não necessita de textos, nem de poemas a acompanhar. é piroso. o nú é a representação do que há de mais cru e natural na humanidade. a sua exposição causa dúvida? será arte, pornografia, erotismo, perversão, subversão… exposição sem pudor? porquê uma pessoa expor-se assim? o que quer? o que se quer realmente com mostrar o nu? nada e tudo. a intenção do nu é apenas expor por expor. contemplar a imperfeição anatómica. colocar a nú as feridas mais antigas de um corpo. a história milenar da humanidade. as derrotas e as vitórias. um grito de libertação. uma necessidade urgente de se impor a si e aos outros. o nu nada é mais do que uma forma; quadrado, triângulo, círculo. agora, se causa alguma forma de desconforto ao olhar de quem vê… somos todos voyeurs, e curiosos compulsivos. então, só há que o olhar e enfrentar de frente. descobrir o que em nós o nú revela. se beleza, se o grotesco, se vergonha ou o pudor. o direito à transgressão é um direito dos nossos sentidos.

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the problem abut the nude, is that you can show skin, but not the sex parts. You can draw them, but not realistically. it causes fear, and when it das, is art. the transgression in art, is a right that only to our senses must be respond. not in the dominant justice. it can not even be censored, because it reveals the history of mankind, and in this order, sometimes it’s subversive.

26.06.14, comentário a “EMBARAZADA DE LA VIDA” de Maurizio Barraco.

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o nú integral só é socialmente aceite nas revistas masculinas, em tudo o resto é tido como “mau gosto”. e no entanto, temos as pivôs de telejornal com olhos de gata, decote avantajado, unha pintada e ombro a descoberto. na publicidade de moda, jovens de idade inferior aos 18, a seduzem como mulheres grandes. temos ainda o “nu artístico”, onde o jogo do mostra e não mostra, torna aquela imagem erótica, bonita e socialmente aceite, mas vazia de conteúdo. e para finalizar, há ainda o pornográfico que tem apenas a função de despertar a libido. e na música pelas divas da pop, idem aspas. o mercantilismo pornográfico da publicidade, da moda e da economia dominante, apoderou-se do nú integral ditando assim as regras. está na hora de a arte recuperar o que já a ela em tempos pertenceu – o Nú.

29.06.14

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o que retrata o corpo de uma mulher? uma sombra do que é. aquilo a que todos têm medo de se expor. a que se esconde numa casa e nos seus bens e a que se revela no olhar estranho dos outros. marcas de exposição à dor. aquela que se deita nos braços de um outro homem qualquer. a que lhe faz a cama e lhe lava os pés. mulher aprisionada no desejo e no sonho. mulher que chora a sua dor e a dos que ama. a que tira e dá à luz. a que revela a obscenidade, a provocação e o ardor de um amar projectado para o futuro. a que da sua carteira tira tudo e do tudo tira o supérfluo.  são gestos do quotidiano, gritos e privações … [to be continued]

01.07.14

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BRAINSTORMING

a vida é isto.

não há maior censura do que a de, estar exposto.

01.7.14

A cortina abre, a luz entra e o homem vê picture ac ### + cutout

14.06.2014

Abril Urge a Esperança

I PARTE

a esperança que não acaba

a porta que dela não sai quem espero.

o caminho que sei onde vai dar, mas que não sei, onde nele parar.

espero por ti a surgir por entre as dunas a gritar: é aqui!

a porta sempre aberta, a janela fechada.

o fumo do teu cigarro que dela sai

não é o sinal suficiente para me indicar que é aqui, onde tenho que parar.

a mosca que se segue de outra não param de entrar

ficam.

rodopiando no ar.

 

a água que tapa os meus pés, demora a desaparecer.

dando-me algo para ler

contas-me a história das marés.

copias o actor principal até nas rugas que provocas,

quando sorris.

de olhos bem abertos, brilhas.

de boca entreaberta, é mais um bafo que se esfuma.

por entre as moscas que por ali continuam.