Textos

 

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2014

ABRIL URGE A ESPERANÇA

I PARTE

a esperança que não acaba

a porta que dela não sai quem espero.

o caminho que sei onde vai dar, mas que não sei, onde nele parar.

espero por ti a surgir por entre as dunas a gritar: é aqui!

a porta sempre aberta, a janela fechada.

o fumo do teu cigarro que dela sai

não é o sinal suficiente para me indicar que é aqui, onde tenho que parar.

a mosca que se segue de outra não param de entrar

ficam.

rodopiando no ar.

 

a água que tapa os meus pés, demora a desaparecer.

dando-me algo para ler

contas-me a história das marés.

copias o actor principal até nas rugas que provocas,

quando sorris.

de olhos bem abertos, brilhas.

de boca entreaberta, é mais um bafo que se esfuma.

por entre as moscas que por ali continuam.

*

II PARTE

porque um dia eu amei demais.

porque todos os dias eu amo demais.

o mesmo homem. todos os dias, todos os outros homens. eu amo demais.

 

convido-te a fazer amor comigo para que a ilusória paz te ilumine.

serei a tua amante.

a que te ampara nas tuas dores, nas tuas hérnias, nos teus calos, na perda do teu pai. na mão e na voz da tua mãe.

as tuas feridas ainda abertas, deixadas abertas por mim, para mim, para outra

para outra.

eu serei sempre (a) outra. (a)quela.

para que um dia, como que renascido tal qual como a fénix

sejam as mais belas marcas que o sol não vai mais queimar. elevar-te-ás.

santificar-te ás como um santo beatificado pela água benta que trazes em teu nome.

pelas águas, areias e sal. pela santíssima trindade que aqui e agora intercedo.

pela escolha que fizeste.

 

desta terra que é a tua. elevar-te-ás.

nesse dia,

quando, deixaste-as em aberto para alguém as sarar.

dócil, meiga e suavemente.

 

eu, estarei sempre a um passo atrás do teu.

nunca estarei onde tu sempre estarás.

nessas areias,

a quem só aos teus passos calmos, concebem o verso à tua passagem.

*

III PARTE

e os astros enredam lentamente o nosso reencontro.

é o cheiro da cidade que hoje me diz:

somos as palavras que compõem o mesmo poema.

 

eu, rompi com tudo.

quebrei-o. rasguei-o, e atirei-o ao mar.

a esse mesmo mar que te vê acordar todas as manhãs, que te embala nos teus sonhos,

e que te acorda nas noites mais quentes e tempestuosas da tua mais furiosa alma.

insónias hoje,  poemas sempre

e companhias amanhã. 

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2013

DEZEMBRO SEM TE ESQUECER

Não temos uma vida em comum,
Nem boas lembranças para recordar.
Mas há o tempo.

A convivência de linhagens está em cena.
O trato com diferentes tons e formas não tarda a chegar.
Quanto longo é o tempo, que nos impõe o tempo presente?

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2013

“Três horas entre dois aviões”

de F. S. Fittzgerald

*

Adaptação para TEATRO por Sofia Guerreiro

Outubro de 2013

CENA I

EXT. ENTARDECER.

INTRODUÇÃO

Em palco, uma cadeira e nele um homem de perfil Atrás de si, um

grande e bonito céu ao entardecer é projectado.

HOMEM

(VOZ OFF)

– Havia apenas uma possibilidade em mil. Na verdade, até me sinto com sorte. Mesmo com um humor propício à tentativa. Fisicamente encontro-me em forma, mas um pouco enfadado, dominado pelo sentimento de dever cumprido. Quero oferecer a mim mesmo uma recompensa. Enfim, Talvez. Será que ela ainda está viva? residirá  ela na mesma cidade? ou mudara de nome? Decorreram vinte anos, desde…

No céu ao entardecer projectado, passa um avião.

TÍTULO

Três horas entre dois aviões

CENA III

INT. AEROPORTO.

O HOMEM levanta-se da cadeira, pega na sua sacola, saí, e desloca-se procurando localizar-se. Pessoas passam a seu lado. Uma leva a cadeira

que se encontra em palco. uma voz de mulher anuncia o próximo avião e

destino. uma outra pessoa transporta um livro, pára junto do HOMEM e

abre-o, expondo-o ao HOMEM. O HOMEM folheia o  livro. Uma outra pessoa passa transportando um telefone. pára. O HOMEM, marca os números e aguarda.

HOMEM

– Boa noite. A menina Nancy Holmes está?

Pelo lado direito do palco, encontra-se um sofá de dois lugares, uma

pequena mesa e um candeeiro. Por esse mesmo lado, entra uma MULHER;

NANCY,  a falar ao telefone, responde à chamada e acende o candeeiro. numa pequena mesa, um copo meio cheio de vinho.

MULHER

Em tom de voz divertido.

– Nancy é agora Sra. Walter Gifford. Quem fala?

HOMEM

Desliga o telefone. Folheia mais uma vez a lista telefónica. Marca os números de telefone, e espera que novamente atendam.

MULHER

– Está?

HOMEM

– Está? A Sra. Gifford está? Fala um dos seus velhos amigos.

MULHER

– Sou a Sra. Gifford.

No palco os dois figurinos partem. Um com o livro de endereços e o

outro, com o telefone. DONALD fica em palco falando com NANCY.

HOMEM

– Sou Donald Plant. Não a vejo desde os meus doze anos.

MULHER

Surpresa.

– Oh!

Pausa

– Donald! … E quando voltou à cidade?

Em tom cordial.

– Onde está?

HOMEM

– No aeroporto. Durante algumas horas somente.

MULHER

– Então venha ver-me.

HOMEM

– Mas não se preparava para se ir deitar?

MULHER

– Por Deus, não! Não fazia nada. Bebia, completamente só. Diga ao

motorista do táxi…

CENA IV

EXT. NOITE. RUA HABITACIONAL.

Da extremidade da porta entreaberta, e iluminada pela luz interior,

está uma mulher com um copo na mão. Sobre esta batem as luzes de um carro.

HOMEM

Emocionado por a ver.

– Sra. Gifford?

MULHER

– Donald? É mesmo você? Nós mudamos tanto! Oh! É formidável!

CENA V

INT. CASA.

HOMEM E MULHER

Quando entravam em casa as suas vozes fazem ressoar as palavras:

– Há tantos anos.

CENA VI

EXT. RUA.

FLASHBACK

Em criança, NANCY, passa por DONALD, e fazendo que não o vê, ajeita o

cabelo.

CENA VII

INT. CASA.

HOMEM

– Você sempre foi muito bonita. Mas estou um pouco perturbado por a ver ainda tão bela.

MULHER

Interessada.

– Quer beber um copo? … Não? Por favor, não pense que costumo beber

com frequência às escondidas, mas esta noite sentia certa neurastenia.

Esperava o meu marido, mas ele telegrafou-me a dizer que só voltaria

dentro de dois dias. Ele é muito gentil, Donald, muito sedutor. Um pouco

do seu género, com  as mesmas cores.

Hesitante.

– E creio que está interessado por alguém em Nova Iorque. Mas não estou

certa.

HOMEM

– Depois de a ver, isso parece-me impossível. Estou casado há seis

anos, e houve um tempo em que me torturava da mesma maneira. Depois,

um dia afastei o ciúme da minha vida. Para sempre. E após a morte da

minha mulher felicitei-me por isso. Não me restavam senão recordações

muito belas, que nada fazia desvanecer.

Ele olha para a mulher com simpatia.

MULHER

– Sinto muito

Pausa.

– Você mudou muito… Recordo-me de que o meu pai dizia: “Este rapaz tem

miolos.”

HOMEM

– E você protestava sem dúvida.

MULHER

– Ficava muito impressionada. Até aí pensara que toda a gente tinha

miolos. Por isso nunca me esqueci desta frase.

HOMEM

Sorrindo pergunta:

– Que outras coisas já  mais esqueceu?

MULHER

Ergue-se e dá alguns passos.

– Ah! isso não é justo! suponho que era uma rapariga endiabrada.

HOMEM

– De modo nenhum! E acho que sempre vou beber um copo.

A MULHER, NANCY; serve um copo de vinho..

HOMEM

– Crê que foi a única pequena que se deixou beijar?

MULHER

Irritada.

– Não se importa de mudar de assunto?

Divertida.

– Que diabo, divertimo-nos muito! Como na canção.

HOMEM

– No passeio de bicicleta, naquele inverno.

MULHER

– Sim… e o piquenique de… de Trudy James. E em Frontenac naqueles… verões.

CENA VIII

EXT. RUA. DIA. INVERNO.

FLASHBACK

Os dois em criança, passeiam de bicicleta.

CENA IX

EXT. RUA. NOITE.

FLASHBACK

DONALD beija as faces de NANCY. NANCY ri e olha as estrelas. Outro casal deixa-os. Donald beija o seu pescoço e as orelhas.

CENA X

INT. CASA.

HOMEM

– E a reunião em casa do Mack, onde toda a gente brincou aos correios e à qual não pude ir porque tive sarampo.

MULHER

– Não me recordo.

HOMEM

– Oh, sim, você esteve lá. E alguém a beijou e eu fiquei louco de

ciúmes, como nunca.

MULHER

– É curioso, mas não me recordo. Isso talvez porque quis esquecer.

HOMEM

Em tom divertido.

– Mas porquê? Nós éramos jovens perfeitamente inocentes. Nancy, todas

as vezes que falava do passado à minha mulher, dizia que a tinha amado

a si quase tanto como a amava a ela. Mas creio que a amei a si tanto

como a amei a ela. Quando abandonámos a cidade, eu levava-a em mim

como uma bala nas entranhas.

MULHER

– Você ia assim tão… perturbado?

HOMEM

– Meu Deus, sim!

Encontram-se a menos de um metro um do outro. Nancy olha para Donald, com lábios entreabertos.

MULHER

– Continue. Tenho vergonha de o dizer mas gosto. Não sabia que você

nesse tempo estava tão perturbado. Supunha que isso se passava apenas

comigo.

HOMEM

– Consigo! Você não se recorda da maneira como me mandou passear na

cafetaria?

Ri.

– Você deitou-me a língua de fora.

MULHER

– Não me recordo desse facto. Parece-me que foi você  que me mandou

passear a mim.

Pousa a mão sobre o braço de Donald.

– Tenho lá em cima um álbum de fotografias que já não vejo há anos.

Vou procurá-lo.

NANCY; pega num remoto controlo e clica nele. Do tecto, por um fio, desce um álbum de fotografias.

FOCO DE LUZ INCIDE SOBRE OS DOIS.

DONALD e NANCY; estão lado a lado no sofá. Nancy tem o álbum no seu colo.

MULHER

Feliz.

–  Oh, é tão divertido! Tão divertido que você seja gentil, que guarde de mim recordações tão belas. Vou dizer-lhe uma coisa: se ao menos tivesse sabido tudo isso. Depois de você ter partido, detestei-o.

HOMEM

– Que pena.

MULHER

Tranquilizando-o.

– Mas já não o detesto.

– Beijemo-nos e façamos as pazes.

NANCY e DONALD beijam-se.

MULHER

– Não me comportei como uma boa esposa. Não creio ter beijado mais de

dois homens após o meu casamento.

Volta a cabeça e abre o álbum

HOMEM

– Espere. Não me sinto ainda capaz de ver uma fotografia, durante

alguns segundos.

MULHER

– Não nos beijaremos mais. Eu própria não me sinto também muito calma.

HOMEM

– Não seria terrível que nós nos apaixonássemos um pelo outro uma vez

mais?

MULHER

– Não diga isso!

Ri. Nervosismo.

– Acabou-se. Isso não passou de um instante. um instante que terei de esquecer.

HOMEM

– Não fale disto ao seu marido.

MULHER

– Porquê? Habitualmente conto-lhe tudo.

HOMEM

– Isso feri-lo-ia. Não conte jamais coisas destas a um homem.

MULHER

– Bem, nada direi.

HOMEM

– Beije-me uma vez mais.

MULHER

Volta uma página do álbum e exclama.

– Cá está você! Encontrei-o logo!

DONALD, olha para para a foto.

PLANO DE PORMENOR

FOTOGRAFIA

Rapaz com 12 anos.

MULHER

– Recordo-me do dia em que esta fotografia foi tirada. Era a Kitty que

a tinha e eu roubei-lha.

HOMEM

Olhando a fotografia mais de perto.

– Não sou eu.

PLANO DE PORMENOR

FOTOGRAFIA

Rosto do rapaz que está na fotografia.

MULHER

– Oh, sim. Foi em Frontenac, no Verão… e nós costumávamos ir à gruta.

HOMEM

– Que gruta? Nunca passei mais de três dias em Frontenac.

De novo, examina a fotografia levemente amarelecida.

– Não sou eu. É Donald Bowers. Parecemos um pouco, é verdade.

MULHER

Olha-o fixamente e recua um pouco no sofá.

– Mas você é Donald Bowers!

Em tom de voz elevado

– Não, você é Donald Plant!

HOMEM

– Eu disse-lho ao telefone.

MULHER

– Plant! Bowers! Devo estar louca! Ou então bebi de mais. Fiquei um pouco perturbada quando o vi. Escute! Que lhe contei eu?

HOMEM

Calmo. Folheia o álbum

– Absolutamente nada.

PLANO DE PORMENOR

FOTOGRAFIAS

Frontenac; Gruta; Donald Bowers.

HOMEM

– Foi você quem me repeliu.

MULHER

Do outro lado da sala.

– Não conte esta história a ninguém. Estas coisas costumam espalhar-se rapidamente.

HOMEM

Hesitante.

– Não tenho história para contar.

Sussurra.

– Então ela sempre era uma rapariga endiabrada.

Bruscamente ajoelha-se perto da cadeira de Nancy.Pousa a mão sobre o seu

ombro.

– Beije-me uma vez mais, Nancy.

MULHER

Afasta-se.

– Você disse que tinha de apanhar outro avião.

HOMEM

– Não tem importância. Posso perdê-lo.

MULHER

– Parta, suplico-lhe. E, por favor, tente imaginar o que sinto.

HOMEM

– Mas você comporta-se como se não se recordasse de mim.

Grita.

– Como se não se recordasse de mim, Donald Plant!

MULHER

– O número da praça de táxis é Crestwood 8484.

Em palco a luz do candeeiro é desligada. Os actores saem do palco.

MÚSICA

Alpha – Sometime Later, Álbum (ComeFromHeaven) 1997.

CENA XI

INT. NOITE. TÁXI.

DONALD no interior do táxi.

Imagens da cidade à noite.

CENA XII

INT. CASA / BAR.

TRAVELING

Fotografia de rapaz com 12 anos cai no chão.

Pormenores da casa de Nancy: Nancy apanha foto caída no chão. Fecha álbum de fotografias. Apanha os 2 copos sujos de vinho.

Serve-se whisky num copo com gelo. Pormenor de Donald Plant num Bar:

CENA XIII

EXT. NOITE.

TRAVELLING

Donald Plant sozinho anda pelas ruas da cidade à noite..

Desfoque sobre as luzes.

Foque sobre luz de avião.

Avião a descolar.

Céu estrelado.

FIM

Sofia Guerreiro

2ª versão 09.11.2013

Faro

[direitos autorais CC]

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2013

NOVEMBRO LEMBRO-ME DE TI

PARTE I

O ziguezaguear da tua barba encerra o brilho dos teus lábios.

Fechados. Com que tu

Evocas ao mais alto dos Olímpos.

A ira de alguma vez me teres amado.

Todo o meu ser estremece.

Todo o meu ser estremece

Com e na vergonha que se reflete

Nas suaves dunas do teu olhar.

Negro. Fogo.

São lâminas que carregas e que com as quais me distancias.

É nas dunas torneadas do teu olhar onde me perco.

Nos teus lábios que me isolo.

Ao teu ouvido te sussurro

Na incerteza de te conhecer

Eu fujo.

Procuro o áspero sal para nele me esfregar.

Tudo em mim arde.

Bebo para aguentar

Mais uma noite neste estado.

Acordo.

Procuro obter respostas onde tenho medo de procurar.

*

PARTE II 

Estás feliz?

Sentes-te bem resolvido?

Com o olhar procuras-me…

Predisposto para amar?

Cumprimento-te com um sorriso e tu retribuís

Sorrindo.

Enquanto…

Procuro,

Dou a minha mão a outro para entrar.

Tu?

Que outrora pedes para te esquecer?

Com a expressão do teu olhar…

Pedes agora para eu ficar?

*

PARTE III

Será a rosas e pétalas o teu cheiro?

É com mágoa que te escrevo.

Ao teu silêncio eu desespero.

Foi a rosas em tempos o teu cheiro.

A rosas e a pétalas,

A cal, a pedra da calçada,

A terra e à areia.

Todas elas quentes pelo sol que nelas batia.

Enquanto a nós o prazer da companhia

Em silêncio nos fazia.

Nada dizes, nada escreves,

No teu mais profundo silêncio.

Como me humilhas como ninguém.

Porque choro?

As minhas lágrimas são trapos.

E as tuas gargalhadas fenómenos tropicais.

É com as lágrimas que não caem

Que te escrevo estas palavras.

É com mágoa que escuto na minha alma

O que preciso de encontrar.

São respostas que procuro às perguntas que nunca te fiz.

Procuro fazê-las agora,

Mas não saem.

Estão presas a mim

Como um barco numa tempestade

Preciso da revolta de te ver

Para assim talvez

Arrancar ao meu ser

O desprezo que desperto em ti.

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2012

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Jesus, quando confrontado e humilhado pela corte de Herodes – filho,  permaneceu em silêncio. Humilhado, desprezado e gozado, sem se deixar deslumbrar nem rebaixar, Jesus manteve-se firme nas suas convicções. Fiél a si próprio, Jesus é aqui neste V passo, representado pelo reflexo da sua própria palavra e do seu próprio comportamento: “silentium”. A referência ao latim diz respeito à língua, que tal como a palavra de Jesus, se propagou e originou novas línguagens, culturas e crenças.  A árvore e suas raízes: à sua verticalidade, força e resistência, tanto de pensamento como do comportamento; a sombra: apresenta-se como um espelho de si próprio, ou o ser fiél a si mesmo. Jesus, tal como todos nós, tem as suas falhas e imperfeições, mas também tem algo a dizer e a deixar a quem  vive com ele. Em “silentium” manteve-se Jesus, perante as adversidades.

Fotografia sobre o tema “V – Jesus e Herodes”, para a exposição colectiva “VIA SACRA” – quinze fotógrafos, quinze passos de Jesus até à cruz , a inaugurar-se na Catedral de Silves, no dia 26 de Fevereiro de 2012 pelas 17h30; Silves.

Click na imagem para visitar a página do Facebook da Paróquia de Silves.
http://www.agencia.ecclesia.pt/cgi-bin/noticia.pl?id=89783
http://www.rotadascatedrais.com/
http://www.snpcultura.org/fotografos_catolicos_e_afastados_da_igreja_expoem_seu_olhar_sobre_via_sacra.html
NOTAS_BIOGRAFICAS_exposicao_Via_Sacra_Silves2

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2011

O Cineclube de Faro traz-nos Solveig e “A Morte de Carlos Gardel” adaptação, da obra homônima do escritor António Lobo Antunes. Envolvido num triângulo familiar, o pai, a mãe e a tia. “A Morte de Carlos Gardel” tem no centro Nuno, o filho que entra em coma e que de lá não regressando mais, rompe com a vida dos que mais o amam.

A mãe; dividida entre dois países sumava relações, a tia médica; não sabia como manter uma relação, e o pai, num segundo casamento é o que mais se aproxima do espectador  enquanto ser simbólico do homem. É o que mais repreende Nuno, refugia-se em bares, no whiskey e no tango, e que um dia bebendo um pouco de mais, conhece “Carlos Gardel” taxista de profissão. Repleto de memórias, elementos simbólicos e oníricos, é um  drama introspectivo onde o baloiçar de um baloiço marca os três tempos da narrativa. Marca o início da revelação, traz a morte a Nuno e quando desenha o final, a mãe parte despida de bens materiais, a tia termina a relação e o pai, desiste da vida para viver numa memória do passado. Se isto não é “comédia” da vida não sei o que será, mas é sem dúvida um  intenso  drama existencial. 

Relativo ao comentário “introspecção” vs “cómico” at cineclube de Faro 05.12.2011
http://cineclubefaro.blogspot.pt/search/label/filme%20A%20Morte%20de%20Carlos%20Gardel

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2008

EXERCÍCIO DE OBSERVAÇÃO = Método de Stanislavski

– a verdade interior da persona –

ARTUR – “Quem olha ninguém diria que …”

– salvou o gato da vizinha.

– fotógrafo.

– teve uma noiva q o abandonou.

*

EXT. MIRADOURO LISBOA. DIA

ARTUR, sentado num banco de jardim dá um gole na cerveja de lata, com ele um livro do qual lê:

(V.O.)

texto a definir *

Rodeado de gente desconhecida e de uma câmara de fotografar faz uma pausa. Pousa o livro no colo. Fixa-se por uns momentos, coloca a mão sobre a câmara, pega nela, arrepende-se. dá mais um gole na cerveja e volta ao livro. Lê novamente a mesma passagem.

(V.O.) *


FLASH BACK – INT. CASA DE ARTUR E DE JÚLIA. CORREDOR. DIA

JÚLIA atira anel de noivado contra o peito de ARTUR, bem ao lado do bolso da camisa e cai rodopiando demoradamente no chão entre os dois. GATO passa por entre as pernas de ARTUR e salta para lá da janela que dá para a rua.

EXT. MIRADOURO LISBOA. DIA

O livro cai do seu colo ao chão. ARTUR, ao apanhar o livro dá um encontrão na lata de cerveja que tomba no banco e que ali ficando, vai despejando o seu líquido e desenhando nas fendas da calçada o seu curso. ARTUR, já com o livro na mão,  observa o líquido da cerveja na calçada. CÃO lambe a cerveja da calçada.

ARTUR, olhando por fim o Horizonte e erguendo o seu olhar, pousa o livro ao seu lado. Levanta-se, e à sua frente; Lisboa ao entardecer. De pé, pega na câmara e caminha, deixando para trás o seu livro e a cerveja tombada agora vazia. Leva mão ao bolso da camisa como q tirando um cigarro. Mas não o faz. Não há tempo. É agora aquele o instante. Aproxima-se do seu alvo e dispara.

FIM

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2008
INTRODUÇÃO

O NASCIMENTO DE UMA PERSONAGEM

“A música troou! O pano subiu! Em cena, quarto homens faziam ginástica. Por fim saíram, e o o palco vazio. Era a minha vez de entrar. Avancei, numa tortura de mil emoções. Ou nos mostramos à altura das circunstâncias ou sucumbimos. Logo que pisei o palco, senti-me aliviado, tudo me pareceu claro. Entrei de costas para o público-uma ideia minha. De costas tinha um ar impecável, de fraque, chapéu alto, bengala e polainas. Depois virei-me, mostrando o nariz vermelho. Houve risos. Aquilo captou a simpatia dos espectadores. Encolhi os ombros, num gesto melodramático; dei estalinhos com os dedos e rodopiei para atravessar o palco em diagonal, tropeçando num haltere. Ao mesmo tempo a minha bengala tocou num saco de areia, dos que se usam para os treinos de boxe, e o saco, balançando, bateu-me na cara. Cambaleei, vacilei um  pouco e bati em mim mesmo, dando com a bengala na testa. O público delirara. A partir daí, achei-me descontraído e cheio de imaginação. Teria podido manter-me em cena 5 minutos e continuar a fazer rir os espectadores sem pronunciar uma palavra.”

Charles Chaplin, Autobiografia.

“(N)A CARRUAGEM”

METRO PARADO- CARRUAGEM: LUÍSA FLÁVIA OBSERVA ENG. MEL MESTRE

1. INT – CARRUAGEM DE METRO – DIA

LUÍSA FLÁVIA ouve música. A carruagem pára. Luísa retira os fones do ouvido.

VOZ OFF

“Senhores passageiros, lamentamos

a paragem por motivos técnicos.

Retomaremos dentro de breves minutos.”

Ao lado de Luísa, CATARINA G B CARRASCO grávida, apoiando-se num dos varões da carruagem, levanta-se. Segura na mala ajeitando-a no ombro e larga um longo e expansivo suspiro.

À frente de LUÍSA FlÁVIA está o ENG. MEL MESTRE, cabelo grisalho, pasta negra de onde se nota muitos anos de uso. Tem uma pequena marca de pombo.

LUÍSA FLÁVIA sorri enquanto mastiga uma pastilha elástica.

ENG. MEL MESTRE ao reparar que está a ser observado, retribui o olhar com um ar sério, denotando-se nele alguma insatisfação e rudeza por estar a ser observado.

LUÍSA FLÁVIA, coloca os fones desviando o olhar.

CATARINA G B CARRASCO volta a senta-se no seu lugar, sofrendo um solavanco pelo arranque da carruagem.

A carruagem retoma a sua marcha.

VOZ OFF

“Senhores passageiros, esperemos não vos ter

oferecido transtorno. Desejo de uma boa

viagem obrigado.”

LUÍSA FLÁVIA ouve música.

FIM

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2005

III) Intervalo Doloroso

I)

– Raciocinar a minha tristeza?

Para quê, se o raciocínio é um esforço?

E quem é triste não pode esforçar-se.

Já lá dizia o outro!…

II)

Tudo me cansa, mesmo o que não me cansa.

A minha alegria é tão dolorosa como a minha dor.

Quem dera ser uma criança pondo barcos de papel num tanque de quinta, com dossel rústico de entrelaçamento de parreira pondo xadrezes de luz e sombra verde nos reflexos sombrios da pouca água.

Entre mim e a vida há um vidro ténue.

Por mais nitidamente que eu veja e compreenda a vida, eu não lhe posso tocar.

III)

– Ah, compreendo!

O patrão Vasques?… pois…

É a vida. A vida monótona e necessária.

Ele é tudo para mim, sabes? Por fora claro, porque a vida é tudo para mim por fora.

– Oh Chico!!… Chico!!!

Raios partam o gaiato…

Fim.

excertos soltos de  “O  Livro do Desassossego

Fernando Pessoa

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  * 2002/2003

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 Há quem diga que o nome vale por tudo. Casa da Música é o seu nome, logo a marca que define o produto: música, música, música. A escolha tipográfi(c)a, será a sua assinatura; algo intransmissível, que será usada em todo o tipo de meios para a sua divulgação; trata-se da sua caligrafia, única e tal como o nome transmite conceitos coesos. 

Já o símbolo no caso da Casa da Música é o seu grande trunfo, o seu rosto; que é apresentado pelo seu peso arquitectural. Inovador a nível nacional, a Casa da Música traz na sua marca gráfica conceitos subjacentes à sua tão esperada oferta no que toca às artes de palco.

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2003

II)

“Breve sombra escura de uma árvore citadina,

leve som de água caindo no tanque triste,

verde da relva regular

– Jardim público ao quase crepúsculo -,

soís, neste momento, o universo inteiro para mim,

porque soís o conteúdo pleno da minha sensação consciente.

Não quero mais da vida do que senti-la perder-se nestas tardes imprevistas,

ao som de crianças alheias que brincam nestes jardins engradados pela melancolia das ruas que os cercam,

e copados,

para além dos ramos altos das árvores,

pelo céu velho onde as estrelas recomeçam.”

excerto do “Livro do Desassossego

Fernando Pessoa

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2003

My Litle Bird

BIRD 03 BIRD 02 BIRD 01

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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1999

I

They keep knocking.

they didn’t stop.

– Hello! Who’s this?

Mamma always used to say, not to speak with strangers. It’s a bad thing!

– C’mon! You can tell me…

I won’t heart you…

I won’t heart you!…

I won’t heart you!…

I heard voices.

Woman voices, wispering in my ears.”

– They are laughing at me. Saying bad things about me! I want them to stop!… But I can’t…

II

Oh!… my litle bird…

– C’mon birdy!… eat!…

But he didn’t eat.

– Mamma used to say that wisdom had died. But I don’t belive her.

She’s a layer!… Wisdom just flow away.

He will come back!… I know he will… he likes me, and I like him to.

He just flow away.

Nouty boy…

– Nouty!, Nouty!, Fucking bird!… Comon… eat! Eat!!

Wisdom his my bird… he fall down… and he never flow anymore.

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2003

I) Entre a rua da alegria e a da desgraça há a rua das flores

Este é o tédio dos que nascem mortos, e dos que legitimamente se orientam para a morfina ou a cocaína.

Bebe! Bebe! É toda a sua filosofia prática.

Não é o beber da alegria, que bebe porque mais se alegre, porque mais seja ela mesma.

Não é o beber do desespero, que bebe para esquecer, para ser menos ele mesmo.

Ao vinho se junta a alegria, a acção e o amor. Basta-lhe ver rosas e beber vinho, flores, e nisso, e em não mais do que isso coloca o seu desejo máximo.

Nula, morta, inútil como um copo vazio. Há máguas íntimas que não sabemos distinguir, por o que contém de subtil e de infiltrado, se são da alma ou do corpo, se são o mal-estar de se estar sentindo a futilidade da vida, se são a má disposição que vem de qualquer abismo orgânico.

Quantas vezes me tolda a consciência vulgar de mim mesmo, num sedimento torvo de estagnação inquieta!

Quantas vezes me dói existir, numa náusea a tal ponto incerta que não sei distinguir se é tédio, se um prenúncio de vómito!

Quantas vezes… Todo eu me doo, memória, olhos, braços. Não me influi no ser a clareza límpida do dia. Lá fora tudo me pertence…

Estou triste, mas não com uma tristeza definida, nem sequer com uma tristeza indefinida.

Mas há sempre o sol quando o sol brilha e a noite, quando a noite chega. Há sempre a mágua quando a mágua nos dói e o sonho quando o sonho nos embala.

Há sempre o que há, e o que nunca deveria haver. Há sempre…

excertos soltos de  “O  Livro do Desassossego

Fernando Pessoa

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2 thoughts on “Textos

  1. Sofia Guerreiro

    10 thoughts on ““A Morte de Carlos Gardel” de Solveig Nordlund”

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  2. Sofia Guerreiro

    2 thoughts on “Fernando Pessoa”

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